segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

CLAMOR PELA PAZ

 



Marcel Reich-Ranicki afirmou: “Atrás das sátiras escondem-se ódio e raiva, atrás do humor há dor e melancolia”. A isso poderiamos acrescentar: atrás das manifestações pela paz mundial esconde-se a falta de paz pessoal de muitos participantes.

Ouvindo as notícias, percebe-se que a política mundial não avançou em relação à promoção da paz. Aliás, nem deveríamos esperar por isso, pois paz significa mais do que ausência de guerras.

O fato é que, quase 76 anos após a II Guerra Mundial, prosseguem continuamente os conflitos e guerras, mostra que o homem não ficou mais sábio ou melhor durante os séculos. Percebe-se também que ele nada aprendeu da História, nem evoluiu para um suposto nível superior. Continuam existindo tiranos cruéis, ditadores sem consciência, líderes políticos sem escrúpulos e nações que se deixam enganar. Nesse aspecto, a situação continua igual à do antigo Egito ou Babilônia de Nabucodonozor. Apenas as circunstâncias são mais modernas.

Numa visão dada por Deus, o profeta Isaias viu um mundo vindouro em que haverá paz. É interessante que Isaias afirma que o Reino da Paz será trazido e  mantido por um Menino. Isaias falou profeticamente do Filho como o Príncipe da paz, que também é Deus, ou seja, de Jesus Cristo: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da paz;  para que se anuncie o seu governo, e venha paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e firmar mediante o juizo e a justiça, desde agora e para empre. O zelo do Senhor dos Exércitos fará isto” (Is 9.6-7).

O mundo clama e anseia por paz. Centenas de milhares de pessoas enchem as ruas em manifestação pela paz. As conferências de paz sucedem-se. Mas, quantas dessas pessoas que defendem a paz têm paz com Deus no próprio coração? Quantos desses manifestantes têm paz na própria casa, em seu matrimônio e em sua família? Quantos desses defensores da paz mundial têm desavensas no local de trabalho e brigas com os vizinhos? Onde começa a Paz? Na casa Branca em Washington, na ONU, em Bruxelas, em Israel ou no Iraque?

A paz baseia-se na justiça, como ensina a Bíblia: “O efeito da justiça será paz, e o fruto da justiça, repouso e segurança, para sempre” (Is 32.17). Somente onde impera a justiça torna-se possível a paz. Onde, porém, não há justiça, nunca pode haver paz duradoura. O mundo está muito distante da paz, porque é dominado pela injustiça.

O que, porém, é justiça? O próprio Jesus Cristo é a Justiça em pessoa, pois está escrito: “Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção” (I Co 1.30). Conseqüentemente, a paz verdadeira e duradoura é possível apenas através de Jesus Cristo.

Somente com a volta do Senhor em poder e glória a justiça e a paz dominarão em Israel e no mundo: “Ele anunciará paz às nações;  o seu domínio se estenderá de mar a mar e desde o Eufrates até às extremidades da terra” (Zc 9.10b).

Quando, finalmente, teremos paz? Quando tiver sido destruído o último missil?

Haverá paz somente quando os homens entenderem que não são as armas, mas, eles mesmos, que provocam a falta de paz.

Haverá paz, finalmente, quando Jesus, o Príncipe da Paz, puder produzir paz em nossos corações.

Aqueles que confiam sua vida inteiramente a Jesus, a Bíblia promete: “a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus” (Fp 4.7).

Pr. Adailton Santos 

Presidente AD Betel









quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

QUEM SOMOS EM CRISTO ?


De acordo com 2 Coríntios 5:17: “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; {criatura; ou criação} as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.” Há duas palavras gregas que são traduzidas “nova” na Bíblia. A primeira, neos, refere-se a algo que acabou de ser feito, mas há muitos outros em existência exatamente iguais. A palavra traduzida nova nesse versículo é a palavra kainos, a qual significa algo que acabou de ser criado e que não existe nada igual. Em Cristo, somos uma criatura completamente nova, assim como Deus criou os céus e a terra originalmente – Ele os criou do nada, e assim o faz conosco. Ele não simplesmente purifica o nosso velho ser; Ele cria um ser completamente novo, o qual passa a fazer parte de Cristo. Quando estamos em Cristo, somos “co-participantes da natureza divina” (2 Pedro 1:4). Deus, na pessoa do Seu Espírito Santo, passa a habitar em nossos corações. Estamos em Cristo e Ele em nós.

Quando estamos em Cristo e Ele em nós, somos regenerados, renovados e nascidos de novo, e essa nova criação se focaliza no espiritual, enquanto que a velha natureza se focaliza no carnal. A nova natureza está em comunhão com Deus, obediente à Sua vontade e dedicada ao Seu serviço. Essas são coisas que a velha natureza é incapaz de fazer ou de desejar fazer. A velha natureza é morta às coisas do Espírito e não pode se renovar. Na velha natureza, somos “mortos nos delitos e pecados” (Efésios 2:1), e ela só pode se tornar viva através de uma ressuscitação supernatural que acontece quando vimos a Cristo e somos habitados por Ele. Ele nos dá uma natureza nova e santa e uma vida incorruptível. Nossa velha vida, anteriormente morta para Deus por causa do pecado, está enterrada, e somos ressuscitados para que “andemos nós em novidade de vida” com Ele (Romanos 6:4).

Em Cristo, somos unidos a Ele e não mais escravos ao pecado (Romanos 6:5-6); somos vivos em Cristo (Efésios 2:5); conformados à Sua imagem (Romanos 8:29); livres da condenação e andamos não segundo a carne, mas segundo o Espírito (Romanos 8:1), somos também parte do corpo de Cristo com outros crentes (Romanos 12:5). O crente agora possui um novo coração (Ezequiel 11:19) e tem sido abençoado “com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo”(Efésios 1:3).

Podemos nos perguntar por que tão frequentemente não andamos da maneira que acabamos de descrever, apesar de termos entregado nossas vidas a Cristo e de termos certeza da salvação. Isso é porque nossas novas naturezas estão habitando nos velhos corpos carnais e eles estão em guerra um com o outro. A velha natureza está morta, mas a nova natureza ainda tem que batalhar com a velha “tenda” onde habita. O mal e o pecado ainda estão presentes, mas o crente agora os enxerga de uma nova perspectiva, e eles não mais o controla como antes. Em Cristo, podemos agora resistir o pecado, enquanto que a velha natureza não podia fazer isso. Agora temos a escolha de alimentar a nova natureza através da Palavra, oração e obediência, ou de alimentar a carne quando negligenciamos essas coisas e praticamos o pecado.

Quando estamos em Cristo, “somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou” (Romanos 8:37) e podemos nos regozijar em nosso Salvador, o qual torna todas as coisas possíveis! Em Cristo somos amados, perdoados e temos a promessa de salvação. Em Cristo somos adotados, justificados, redimidos, reconciliados e escolhidos. Em Cristo somos vitoriosos, somos cheios de alegria e paz, e temos o verdadeiro sentido para a vida. 

Que maravilhoso Salvador é Cristo !!


Pr. Adailton Santos 

Presidente AD Betel





 

 

JESUS O VERBO E A LUZ


No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.” (João 1.1-5).


A palavra “verbo” do texto foi traduzida do original grego “logos”, que significa “palavra”.

Mas como “verbo” é palavra indicadora de ação, a maior parte das traduções da língua portuguesa traz “verbo” em vez de “palavra”.

Ambos podem ser usados e estão corretos, mas “palavra” define melhor o pensamento de João ao usar o referido termo para se referir à Pessoa de Jesus, porque certamente ele tinha em mente demonstrar que Jesus foi quem tomou parte na criação ao lado de Deus e do Espírito Santo, sendo a Palavra que tudo criou, porque é dito que o mundo foi criado pela Palavra de Deus, uma vez que Ele disse em cada ato da criação: “haja” ou “faça-se”.

“Pela palavra do Senhor foram feitos os céus, e todo o exército deles pelo sopro da sua boca.” (Sl 33.6).

“Pela fé entendemos que os mundos foram criados pela palavra de Deus; de modo que o visível não foi feito daquilo que se vê.” (Hb 11.3).

“Pois eles de propósito ignoram isto, que pela palavra de Deus já desde a antiguidade existiram os céus e a terra, que foi tirada da água e no meio da água subsiste;” (II Pe 3.5).

Ao fazer uso da palavra Verbo, João a associou aos atos da criação dos céus e da terra, conforme se vê no verso 3.

E ao identificar Jesus como sendo o Logos, a Palavra, ou Verbo eterno, podemos também considerar que a mente eterna de Deus foi revelada a nós por meio dEle.

Os pensamentos puros, perfeitos e conhecedores de tudo o que há em Deus, são inerentes a Cristo e Ele os revelou a nós.

É somente por meio dEle que os selos do livro da vida são removidos para que os mistérios da verdade sejam revelados a nós.

Se Ele não tivesse se manifestado ao mundo nós permaneceríamos nas trevas quanto a esta vida do Espírito Santo, que se manifesta nos que têm fé nEle.

Vida de poder espiritual e de comunhão em amor celestial.

Vida de frutos e dons espirituais que são comunicados entre aqueles que têm sido vivificados pela luz de Cristo, a qual, quando permanecemos nela, faz com que a vida de Cristo se manifeste em nós.

Neste sentido, pode-se dizer então que Cristo é a fonte mesma da qual procede toda a Palavra que sai da boca de Deus, sendo que Ele mesmo é Aquele por quem se expressa esta Palavra.

Daí ter dito que a Palavra que Ele proferia não provinha dEle próprio, mas do Pai, isto é, tudo o que o Pai expressa pela Palavra, Ele o faz por meio do Filho, de maneira que João havia apreendido este ensino e verdade de Jesus aos apóstolos em Seu ministério terreno, e pôde compreender que o mundo foi feito pela Palavra liberada pelo próprio Cristo, daí dizer que Ele é a Palavra (Verbo) pela qual todas as coisas foram feitas, e que sem Ele nada do que foi feito se fez (v. 3); isto é, o Pai nada fez sem a participação de Cristo.

Somente Jesus tem as palavras de vida eterna. Pedro teve este reconhecimento que é dEle que emana a palavra que dá vida aos pecadores (Jo 6.68), e a experiência comprova isto em todos os testemunhos de conversão.

“Segundo a sua própria vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas.” (Tg 1.18).

“tendo renascido, não de semente corruptível, mas de incorruptível, pela palavra de Deus, a qual vive e permanece.” (I Pe 1.23).

Os textos destacados acima de Tiago e Pedro revelam o ato da nova criação espiritual pela Palavra.

Esta Palavra é a verdade, e Jesus disse também ser esta verdade, que liberta e dá vida.

Há então, poder e ação envolvidos nesta Palavra, aqui referida pelo apóstolo, e a que é citada em todas as passagens bíblicas que se referem a ações de criação, de salvação, de santificação, e de tudo o mais que dependa da liberação do poder pela Palavra de Cristo.

Por isso Jesus havia dito que as suas palavras são espírito e vida (Jo 6.63). E também que o homem não vive somente de pão, mas de toda palavra que procede da boca de Deus (Mt 4.4), porque é pela palavra de ação poderosa, que novas criaturas com a vida que procede do céu são geradas.

È também, pela prática da Sua palavra, isto é, tê-la em devida consideração e vivendo segundo o seu poder, que se tem a vida solidamente firmada num fundamento inabalável (Mt 7.24).

Era com a Sua palavra de ordem que Jesus expulsava demônios e curava enfermos, e que ainda o faz através daqueles que nEle creem (Mt 8.16).

É por isso que as palavras de Jesus jamais passarão porque são eternas assim como Ele é eterno (Mt 24.35).

Desta forma, crer de fato em Jesus é permanecer nEle, e permanecer nEle é permanecer portanto na Sua palavra; e como esta palavra é a vida eterna, aquele que a guarda jamais morrerá eternamente (Jo 8.31; 51; 14.24).

Como Jesus é santo, é a sua Palavra que nos santifica (Jo 15.3; 17.17).

Foi por isso que a Igreja Primitiva tinha poder para pregar o evangelho, porque eles viviam e pregavam somente a Palavra (At 4.29, 31; 5.20; 6.2, 6.7; 8.4, 8.25; 10.44; 11.14; 12.24; 13.5, 13.44, 13.48, 13.49; 14.3, 14.25; 15.35, 15.36; 16.32; 17.11; 18.5, 18.11; 19.10, 19.20; 20.32).

A fé é gerada por se ouvir a Palavra (Rom 10.17).

Nós vemos nas palavras de Paulo em I Cor 1.17; 2.1, 4, 13; I Tes 1.5 que a pregação desta Palavra viva é muito mais do que simplesmente exposição verbal de conceitos teológicos, ou de meras citações bíblicas, mas a liberação da porção da verdade, conforme está revelada nas Escrituras, em exposição, com palavras ensinadas pelo Espírito, no poder do Espírito, conforme esta é revelada pelo mesmo Espírito ao coração e mente do pregador (Ef 6.19):

“Porque Cristo não me enviou para batizar, mas para pregar o evangelho; não em sabedoria de palavras, para não se tornar vã a cruz de Cristo.” (I Cor 1.17).

“E eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria.” (I Cor 2.1).

“A minha linguagem e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria, mas em demonstração do Espírito de poder;” (I Cor 2.4).

“as quais também falamos, não com palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas com palavras ensinadas pelo Espírito Santo, comparando coisas espirituais com espirituais.” (I Cor 2.13).

“porque o nosso evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também em poder, e no Espírito Santo e em plena convicção, como bem sabeis quais fomos entre vós por amor de vós.” (I Tes 1.5).

Esta Palavra já existia antes que houvesse mundo, antes da existência do tempo cronológico, ao que João chama de “no princípio” mostrando que era, que é e sempre será.

Cristo sempre esteve em co-existência com o Pai. Ele estava, está e sempre estará com Deus. De maneira que crer em Cristo é crer em Deus Pai, porque o Pai e o Filho co-existem em perfeita unidade e são inseparáveis.

Somente Jesus estava qualificado para efetuar a nossa redenção porque Ele conhece perfeitamente a nossa constituição total, de espírito alma e corpo porque Ele nos criou, assim como todas as coisas.

Ele deve receber, portanto a nossa adoração também como Criador, e não apenas como Salvador e Senhor.

João afirma no verso 4 que a vida estava em Cristo, e que esta vida era a luz dos homens.

A luz condenará as obras infrutíferas das trevas naqueles que permanecem no pecado, porque fará a exposição do que se ocultava nas trevas:

“Mas todas estas coisas, sendo condenadas, se manifestam pela luz, pois tudo o que se manifesta é luz.” (Ef 5.13).

É pela luz da revelação divina que o pecado pode ser condenado ou extirpado.

E João nos diz que a vida está em Jesus, e que esta vida era a luz dos homens; isto é, somente quando a vida poderosa de Jesus se manifesta em alguém, é que tal pessoa poderá vir para a luz de Deus e conhecer a Deus e compreender as coisas espirituais e divinas.

Assim, fora de Cristo, não há esta possibilidade, porque vida e luz para os homens procedem dEle, e ambas são inseparáveis.

A vida eterna que nós necessitamos para escapar da morte eterna está somente em Cristo Jesus, e é nEle portanto que devemos buscá-la, e João nos indica o meio de obtê-la, a saber, por meio da Palavra e pelo andar na luz.

É a luz de Cristo que ilumina o nosso entendimento e espírito para compreendermos as Escrituras.

Elas permanecem como um livro fechado para nós até que Cristo abra o nosso entendimento e se revele ao nosso espírito para que possamos compreendê-las; como fizera com os dois discípulos no caminho de Emaús, aos quais lhes abriu o entendimento para compreenderem tudo o que estava escrito acerca dEle nas Escrituras.

Não foi João quem conceituou Jesus como luz, pois Ele próprio fizera tal afirmação acerca de Si mesmo durante o Seu ministério terreno, confirmando aquilo que as Escrituras do Velho Testamento afirmam sobre Ele, especialmente de que Ele seria luz para os gentios. (Mt 4.16; Jo 3.19; Jo 8.12).


Pr. Adailton Santos

Presidente AD Betel

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

POR QUÊ PRECISAMOS DE DOUTRINA BÍBLICA ?

A Igreja brasileira vive dias difíceis em todos os sentidos. Tanto na vida espiritual, social e principalmente teológica.
 
Não é preciso ser um puritano para perceber o baixo nível espiritual que muitas denominações estão chegando. Igrejas que não muito tempo atrás eram os baluartes de uma vida espiritual (se não perfeita – razoável) com um histórico de grandes feitos na evangelização e exemplos de vida santa na consciência das massas, parecem hoje ter perdido sua ”identidade” e compromisso espiritual. Preocupadas mais em parecerem ”agradáveis” ao pensamento dominante deste século, se moldando a correntes políticas politicamente corretas e voltadas mais à esquerda, parecem não perceber o declínio e desconstrução de seu gene histórico e teológico.

Se aproximando gradativamente à movimentos não muito heterodoxos como a teologia da prosperidade, confissão positiva e outros ”ismos” adjacentes, tem deixado de lado (pelo menos nas pregações cotidianas) as doutrinas fundamentais da fé cristã, causando muito prejuízo na vida espiritual e na maneira que os crentes enxergam o evangelho.
Pois, se as doutrinas bíblicas são negligenciadas, dando lugar as pregações subjetivas é impossível produzimos crentes com uma mentalidade cristã verdadeira. Causando uma distorção na formação e vivência dos crentes em geral.
Dado a isso, é imprescindível darmos a atenção necessária as doutrinas bíblicas e sairmos deste ciclo subjetivo de muitas igrejas atuais. Procurando afirmar mais claramente as verdades das escrituras, de forma clara e objetiva na mente dos crentes.

O Que é doutrina Bíblica?
Doutrina é o conjunto de verdades reveladas por Deus nas escrituras e transmitidas ao longo da história que fundamentam a Verdade de Deus.
É o que fundamenta a nossa cosmovisão e nos dá um vislumbre sobre as verdades que Deus nos revelou sobre sua natureza, plano, sua criação, redenção e etc…
No que se refere a doutrina cristã são os pontos fundamentais de nossa fé e prática ensinada por Cristo e pelos Apóstolos. Do Latim (didache) Ensino ou Instrução.

Portanto ignorar ou desprezar as doutrinas bíblicas significam desprezar as verdades de Deus e de sua revelação

Muito do que foi dito anteriormente poderia facilmente ser amenizado ou até mesmo evitado, se ao invés de investirmos em ”novidades” que muitas vezes vem do pensamento secular extra bíblico, concentrássemos nossas forças em ensinar doutrina.
Uma compreensão adequada deste tema, certamente levaria a igreja a uma aproximação mais consistente da fé, proporcionando uma espiritualidade muito mais efetiva e real, já que é impossível entender e viver espiritualmente negligenciando as doutrinas que as fundamentam, como: a doutrina de Deus, do filho e do Espírito Santo, da graça e etc…

Quanto aos ”ismos” e falsos ensinos que tem proliferado em nossos arraiais, nem é preciso dizer que este é sem sombra de dúvida um dos sintomas da falta da doutrina bíblica, que caso fosse nossa prioridade, não havíamos chegado ao estado em que estamos. Onde, a maioria de nossos crentes nem se quer sabe fazer distinção entre o verdadeiro evangelho e as falácias da teologia da prosperidade e do neo pentecostalismo.
Um compromisso maior da igreja com a doutrina certamente elucidaria este fenômeno absurdo entre o povo de Deus. E levaria a igreja a dias melhores espiritualmente e influenciaria nas decisões em outras áreas tão negligenciadas nesses últimos dias.

As Doutrinas Bíblicas são exatamente o que nos faria divorciarmos deste sincretismo religioso que invadiu as igrejas brasileiras, tornando em muitos casos, quase impossível diferenciarmos uma igreja de outra. Só ela e nada mais que ela, é capaz de expor esses falsos ensinos que contribuem para a descaracterização e desconstrução de nossa identidade cristã.
E nos trazer clareza sobre os propósitos de Deus para conosco como corpo de Cristo e Instituição modeladora da sociedade.

A Doutrina nos leva a uma compreensão muito mais clara sobre Cristo e sua Missão e consequentemente nos aproxima de Deus com mais entendimento nos beneficiando de sua graça de forma mais plena.

Sem um reconhecimento da Importância da Doutrina Bíblica para a igreja, não é possível cumprir razoavelmente nossa missão neste mundo, já que a meu ver, é ela que fundamenta as nossas ações e visão das coisas.

Portanto, o ensino das doutrinas bíblicas sistematicamente à igreja atual, é a única maneira de nos livrarmos da apostasia e da apatia que tanto nos cerca.

Pr. Adailton Santos

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

ESCRAVOS DA "LIBERDADE"



“…e livrou o justo Ló, afligido pelo procedimento libertino daqueles insubordinado, ( porque este justo, pelo que via e ouvia quando habitava entre eles, atormentava a sua alma justa, cada dia, por causa das obras iníquas daqueles ), é porque o Senhor sabe livrar da provação os piedosos e reservar, sob castigo, os injustos para o Dia de Juízo, especialmente aqueles que, seguindo a carne, andam em imundas paixões e menosprezam qualquer governo. Atrevidos, arrogantes, não temem difamar autoridades superiores, ao passo que anjos, embora maiores em força e poder, não proferem contra elas juízo infamante na presença do Senhor.” (2 Pedro 2:7-11)


“Esses tais são como fonte sem água, como névoas impelidas por temporal. Para eles está reservada a negridão das trevas; porquanto, proferindo palavras jactanciosas de vaidade, engodam com paixões carnais, por suas libertinagens, aqueles que estavam prestes a fugir dos que andam no erro, prometendo-lhes liberdade, quando eles mesmos são escravos da corrupção, pois aquele que é vencido fica escravo do vencedor. Portanto, se, depois de terem escapado das contaminações do mundo mediante o conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, se deixam enredar de novo e são vencidos, tornou-se o seu último estado pior que o primeiro. Pois melhor lhes fora nunca tivessem conhecido o caminho da justiça do que, após conhecê-lo, volverem para trás, apartando-se do santo mandamento que lhes fora dado. Com eles aconteceu o que diz certo adágio verdadeiro: O cão voltou ao seu próprio vômito; e: A porca lavada voltou a revolver-se no lamaçal.” (2 Pedro 2:17-22)


São por demais vigorosas e contundentes estas palavras proferidas pelo apóstolo Pedro, inspirado pelo Espírito Santo, contra aqueles que passando-se por cristãos, não se submetem na verdade a qualquer governo do Senhor Jesus, acolhendo com mansidão os Seus mandamentos, para serem praticados com temor e reverência.

O que está em foco não são líderes formais, dirigentes de congregações, mas qualquer pessoa que se levante fazendo as vezes de mestre e pastor do rebanho do Senhor, sem que tenha recebido qualquer chamada da parte dEle para tanto, ou até mesmo por não se tratar de um autêntico cristão – alguém que não nasceu de novo do Espírito Santo.

As palavras do apóstolo não têm o intuito de incitar um combate contra tais pessoas, mas para que aqueles que amam de fato a Cristo e à Sua vontade, não se deixem influenciar por estes insubordinados, que tentam fascinar os incautos com a promessa de uma falsa liberdade que consiste na rejeição de qualquer tipo de governo espiritual, especialmente o que passa pelas pessoas daqueles que são chamados por Deus para pastorearem o rebanho de Cristo (Atos 20.28).

Quando não nos sujeitamos ao governo do Senhor, conforme o dizer do apóstolo, nos tornamos escravos da corrupção (2.19) da nossa natureza terrena pecaminosa, uma vez que não fomos de fato libertados pelo poder de Jesus.

Por isso nosso Senhor afirma que os mansos são bem-aventurados, ou seja aqueles que são submissos à Sua Pessoa e Palavra.

A estes Ele se revelará e guiará mansa e continuamente ao conhecimento e prática da verdade, na comunhão em amor do Espírito Santo e uns com os outros, sob o temor de Deus.

Somente aos que são pela verdade é dado ouvir a voz do Supremo Pastor.

As ovelhas de Cristo conhecem e ouvem a Sua voz e não seguirão aos estranhos.

E estas sabem que “é na paz que se semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz.” (Tg 3.18)


“Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue. Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho. E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens falando coisas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles. Portanto, vigiai, lembrando-vos de que, por três anos, noite e dia, não cessei de admoestar, com lágrimas, a cada um. Agora, pois, encomendo-vos ao Senhor e à palavra da sua graça, que tem poder para vos edificar e dar herança entre todos os que são santificados.” (Atos 20:28-32)

Pr. Adailton Santos

O TRABALHO PACIENTE NA LAVOURA DE DEUS.



Deus constituiu apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres e os deu à igreja para que os santos fossem aperfeiçoados espiritualmente para o desempenho dos seus respectivos ministérios, de maneira que a Igreja seja edificada como o corpo de Cristo, como se afirma em Ef 4.11,12.

Não foi portanto a Igreja que foi dada aos ministérios, mas estes que foram dados por Cristo à igreja, para que a sirvam, de maneira que todos, estando vinculados em amor, cheguem à unidade da fé e ao pleno conhecimento do Filho de Deus, por atingirem o amadurecimento espiritual, que é segundo a medida da estatura da plenitude de Cristo, ou seja, que tem em Cristo o seu modelo e exemplo até o ponto em que deve crescer, e não no homem, como lemos em Ef 4.13.

É somente quando se atinge este amadurecimento espiritual que se deixa de ser menino na fé, bebê em Cristo, cristão carnal, transformando-se em cristão espiritual, que tudo discerne e de ninguém é discernido, senão pelos que são também espirituais.

Quando se atinge a maturidade espiritual o cristão se torna uma coluna na casa de Deus, que é a Igreja (não nos referimos a templos, mas ao corpo de crentes), porque já não poderá ser desviado da sua firmeza de fé por qualquer vento de falsa doutrina, engendrada pela astúcia e fraudulência dos homens, que maquinam o erro; ao contrário eles crescem mais e mais em tudo, seguindo a verdade em amor, nAquele que é a cabeça da Igreja, a saber, Cristo.

Fora de Cristo, da comunhão com Ele, não é possível haver tal crescimento harmonioso de todos os membros da Igreja.
Por isso eles necessitam permanecer nEle para que seja operada esta justa cooperação de cada membro do Seu corpo, para que seja efetuado este crescimento para a edificação da Igreja em amor.

É isto que distingue congregações de congregações, porque ainda que sejam formadas por verdadeiros filhos de Deus, há de se ver crescimento espiritual naquelas em que os cristãos estejam perseverando na obediência à doutrina dos apóstolos, e para tanto, se requer que esta seja devidamente pregada e ensinada.

Onde não houver tal pregação e ensino, que devem ser segundo a sã doutrina, jamais se poderá esperar que em algum tempo a congregação chegue a um amadurecimento por parte da quase totalidade dos seus membros.

Contudo, onde houver tal pregação e ensino, é razoável que se espere o referido amadurecimento, e ainda que alguns membros cheguem a ele tardiamente, terão implantadas neles as palavras de vida eterna que germinarão no tempo próprio conforme a operação do Espírito de Deus.

Mas como o Espírito fará germinar uma semente que não foi plantada pela pregação e ensino da verdade?
Daí ser requerida paciência dos ministros do evangelho enquanto aguardam pelo fruto do seu trabalho, que será certamente honrado pelo Senhor (Tg 5.7-11).

Pr. Adailton Santos